quinta-feira, 24 de maio de 2012

Olhos de Inverno

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Figura da minha galeria: odesigner.deviantart.com




 A figura esguia de longos cabelos negros e mantos sujos caminhava por entre as árvores enquanto pequenos flocos de neve caiam. Seu andar disforme demonstrava que algo não se passava bem em seu interior, talvez o frio dessa região montanhosa fosse demais para ele, mas essa não era a realidade.
Enquanto caminhava ele lembrava-se de muitos locais que visitara em sua longa jornada, desertos escaldantes, ilhas habitadas por criaturas exóticas, florestas chuvosas onde se pode encontrar todo tipo de coisa. Mas sua real busca deixava tudo isso para traz.
De repente as memorias de sua infância surgem, palavras quase sem importância para os outros mas que marcaram sua vida. “Você sonha demais” era a maior lembrança que tinha do que sua mãe lhe dizia, de seu pai era um tabefe que ganhou ao pronunciar que iria sair de casa para conhecer o mundo.
Bem, mas isso não o mais importava. Já haviam passado-se anos desde que ele deixou aquela pequena vila na sobra da copa dos seus senhores, já haviam-se passado léguas do caminho em que conseguia voltar, e já haviam se passado batalhas demais para que as cicatrizes em sua mente pudessem manter-se longes de seu coração.
Em sue caminho ele encontra então a saliência que marcava onde deveria subir para encontrar a pessoa que procurava, ou encarar o que ela lhe disse-se.
Já havia se passado algum tempo, uma hora ou duas desde o momento em que começara a escalar o cume. A noite anterior havia sido desastrosa, por um pequeno embaçamento em sua visão, quase perdera o equilíbrio e passaria a eternidade em meio aquela escuridão. Não sabia entretanto se o que sentia era cansaço ou algum efeito daquela altura e frio que se instalava em seu pulmão, mas a cada passo a escalada tornava-se mais dificil.
Contudo, uma chama de esperança o aqueceu quando ele enfim conseguiu avistar o topo, e dentro de seu tempo alcança-lo. Para sua surpresa o homem parecia esta o aguardando a muito tempo.

- Vim de muito longe a procura do sábio desta montanha, este é você?

Disse enquanto tirava o capuz e encarava o homem sentado em peles enfrente a uma fogueira que pouco aquecia, mas permitia seu chá manter-se quente. Homem este, que usava adornos de penas e peles, e fumava um enorme cachimbo de madeira que soltou uma baforada enquanto disse:

- Eu sei o que procura, jovem. Mas não encontrará aqui ou em qualquer outro lugar.

Surpreso com a fala do homem de aparencia digna, veneravel e de postura quase divina indagou, enquanto o suor escapava por entre seus cabelos lisos como  a seda.

- E por acaso sereis um adivinho para conhecer o desejo dos outros? É algum tipo de criatura celestial ou profeta do destino?

- Não. Apenas vejo em seus olhos. Olhos que um dia almejaram o futuro, olhos rubros como o sangue, olhos que desejaram mais do que se pode agarrar. Olhos de um amaldiçoado.

Comentários
1 Comentários

1 comentários:

OD disse...

Pra variar um conto um pouco diferente, voltado mais na linha dos dos meus primeiros posts. :p

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