quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Palavras e Sentimentos

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Você sabe dizer o que é um sentimento? Tento descrever o que a gente experimenta quando ama, quando vibra, quando está infinitamente triste ou feliz a um passo de voar, mas eu não sei fazê-lo.

De alguma forma descoberto que na realidade sentimentos e palavras são seres disjuntos. Sentimentos não combinam. Eles são uma nulidade. No entanto as palavras conseguem ser soberbas em seu papel de estímulos. Ouvir palavras ditas suavemente por quem se ama, lê-las em algum texto que se adoraria ter escrito ou simplesmente pensá-las para dizer a alguém, é uma experiência recompensadora.

Experiências que conseguem ter a força de um tornado, devastar como um cataclismo ou ter a leveza de um sorriso.


As palavras sabem com perfeição despertar e desalojar sentimentos antes adormecidos dentro de nós. O que elas não sabem, no entanto é descrevê-los. Aprendi isto, pois quando penso, eles, os pensamentos, chegam até meu ser como palavras mesmo que não sejam ditas às claras, apenas sussurradas pelo ar em meus ouvidos.

Quando ouvimos palavras de amor ou aspiramos um perfume que remete a algum instante e vemos maravilhas ou sentimos na pele o toque de alguém especial, um milagre indescritível acontece conosco. Mergulhamos em ondas vertiginosas, em voragens, em incandescências. Porém na hora de contar tais experiências, como é o estar lá, não conseguimos. Faltam-nos as palavras que o digam. Só então percebemos que o idioma que adoramos é pobre para isto ou então somos desconhecedores da fórmula ou das falas mágicas que servem para contar os sentimentos.

As frases não brotam nem acompanham as sensações. Talvez seja exatamente assim que deva acontecer para que ao serem falados os sentimentos lindos não nos levem fatalmente a outra caixa de Pandora que ao ser aberta desta vez liberte todos os sentires antagonistas ali prisioneiros sem no entanto libertar com eles a esperança.

Talvez a felicidade verdadeira a dois seja impossível se a gente esperar ouvir com exatidão o que o outro sente.


Concluindo aqui acredito que para um relacionamento seja duradouro necessite de individualidade não negociável onde o sentir não precise necessariamente ser contado bastando apenas e simplesmente ser experimentado.

Comentários
1 Comentários

1 comentários:

Andreia disse...

Quando amamos somos livres, ser livre esta acima de qualquer vida seja ela mortal ou não... Bela post.

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