quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O garoto sem nome

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Já era tarde. O rapaz olhava pela janela e lembrava-se de quando chegou naquele lugar, um garoto sujo e mirrado. Suas roupas estavam em farrapos e sua memória fragmentada, sua mais antiga lembrança era está envolto em escuridão e de repente enxergar a luz. Era como se sua vida tivesse começado ali, naquele exato momento em que um senhor tirava o entulho que o sufocava.

E agora aquele momento era a ultima noite que passava nesta pequena cidade. Onde vivera por tantos anos. Onde aprendeu o significado de família, de ter amigos, onde conheceu o calor de uma mulher... Ele que passara anos esperando o momento, de finalmente sair e explorar o mundo e agora tinha um pouco de receio disso.

Era como se aquela criança que havia chegado, medrosa e cheia de duvidas estivesse ali, naquele momento. Mas ele tinha se tornado um homem e estava prestes a traçar uma longa jornada pelo mundo e essa era a realização de todo o seu crescimento.

De repente um vento suave adentrou a cabana e por um instante ele pensou em flora. Ela que fora sua amiga, sua confidente e a que teve o beijo mais suave. Ele desejou que ela estivesse ali, que ainda estivessem naqueles tempos de primavera, que só servia para deixá-la ainda mais bela.

Desejou que Flora estivesse ali. Ele não queria deixá-la, se ao menos o tempo não tivesse passado e seu pai não a tivesse prometido ao filho do prefeito... Ele poderia muito bem tentar se ajustar a uma vida pacata (...) mas de alguma forma aquilo não lhe parecia à coisa certa a se fazer. Ele era apenas o neto adotivo de um cartógrafo aposentado, que futuro ela teria com ele?

(...)

O alvorecer chegava, a luz do lampião já definhava, e em seus olhos podia-se ver um brilho de determinação. A névoa em seus pensamentos dispersava-se conforme o sol espantava as brumas para a floresta. A porta se abria, um rapaz alto se aproximava dele.

-Já esta pronto meu amigo?

-Como nunca estive antes!

E assim ele partiu daquela cidadezinha, esquecendo-se do seu passado novamente enquanto almejava o futuro. Mais uma vez era um garoto sem nome.

Comentários
3 Comentários

3 comentários:

Ploc disse...

Odin,
Adorei o blog!
Você e seu grupo estão de parabéns xD

Confesso que estou um pouco surpresa com seu conto, muito bem escrito, na minha humilde opinião (nunca te imaginei fazendo algo assim).

Bom, você sabe sobre o que eu mais gostaria de ler; pena que vocês não se voltem para isso =X

Espero por mais postagens.
Até.

Deneb disse...

Olá Ploc,
Obrigado pelos parabéns e pelo seu comentário. Nós estamos tentando formar um blog com contos e poesias de tipos e temas variados para agradar um maior número de pessoas, ainda bem que um deles chamou sua atenção, ficamos felizes por isso.

Só peço que o pessoal que gostou do conteúdo de nosso blog divulgue e nos ajude a crescer. E mais uma vez obrigado pelo comentário. Valeu! Volte sempre. =)

Andreia disse...

Toda águia tem medo de sair do ninho,como todo pássaro ,mas quando ele voa ,não existe ser na terra ou no céu que não almeje só por um segundo ser ele .

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